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Maria Elisabeth Pereira Kraemer Professora da UNIVALI, Mestre em Relações Econômicas e Sociais Internacionais pela UMINHO-Portugal e Doutora em Ciências Empresariais pela Universidade do Museu Social da Argentina- UMSA - Argentina.
O mundo vem assistindo à uma continuada revolução econômica-financeira-contábil,
especialmente através do incessante surgimento de novos conceitos, instrumentos
e produtos que, graças as maravilhas da tecnologia da informação, se tornaram
acessíveis aos gestores.
Johnson & Kaplan (1993, p.3), afirmam que o ambiente econômico contemporâneo
exige excelência dos sistemas corporativos de contabilidade gerencial. Com a
tremenda competição global, o rápido progresso na tecnologia de processos e
produtos e as violentas flutuações nas taxas de câmbio e preços das
matérias-primas, o sistema de contabilidade gerencial de uma organização precisa
fornecer informações oportunas e precisas, para facilitar os esforços de
controles de custos, para medir e melhorar a produtividade, e para a descoberta
de melhores processos de produção. O sistema de contabilidade gerencial também
necessita informar custos precisos dos produtos, de modo que a fixação de
preços, a introdução de novos produtos, o abandono de produtos obsoletos e a
resposta a produtos rivais possam se basear na melhor informação possível sobre
as necessidades de recursos para aquele produto.
Com esses papéis vitais nas informações de planejamento e na comunicação,
motivação e avaliação, o sistema de contabilidade gerencial da organização é um
componente necessário na estratégia da empresa para alcançar o sucesso
competitivo. O processo de profundas alterações que o nosso País atravessa, como
resultado de fatores históricos internos e de uma opção clara no sentido da sua
integração num espaço mais amplo, sofisticado, desenvolvido e competitivo,
conduziu os nossos gestores à necessidade de, rapidamente, se adaptarem às
estruturas internas das suas empresas e a aperfeiçoarem os seus métodos de
gestão global, particularmente no domínio da gestão financeira.
Catelli & Guerreiro ( 1995, p.17), dizem que o ambiente mundial vem passando por
modificações profundas no que diz respeito aos aspectos geopolíticos, social e
econômico. No que se refere ao último aspecto, o processo de mudanças tem
impactado fortemente a atuação de países e das empresas. Neste contexto
ambiental turbulento, as empresas tem sido submetidas a novos desafios,
principalmente a uma acirrada competição. A necessidade de busca da excelência
tem levado as empresas a repensarem sua filosofia de atuação, seus processos e
técnicas operacionais, processos gerenciais e instrumentos de gestão.
Entretanto, o que se constata, é que está acontecendo verdadeira revolução na
organização das empresas, através da utilização de tecnologias avançadas de
produção, e se tem verificado que um forte obstáculo vem inviabilizando o seu
sucesso continuado, pois a abordagem tradicional encara a fábrica apenas como
uma coleção de máquinas e de operações individuais. Em se tratando de mudanças
de nível tecnológico, Drucker (1990, p. 70), observa que "a fabricação do futuro
será uma rede de informações. Os gerentes terão de entender todo o processo de
produção, sendo que o objetivo da nova contabilidade industrial é integrar a
produção na estratégia dos negócios".
A atual competitividade dos negócios e as constantes mudanças nos diversos
ambientes das empresas exigem a maximização do desempenho e do controle
empresarial. Neste sentido, a Controladoria exerce papel preponderante na
empresa, apoiando os gestores no planejamento e controle de gestão, através da
manutenção de um sistema de informações que permita integrar as várias funções e
especialidades.
Hoje, com a Excelência Empresarial, as informações gerenciais devem cobrir todo
o ciclo de vida do produto, o qual em suas definições afeta sobremaneira o
projeto de sua qualidade.
A marca de excelência de uma empresa é um compromisso contínuo em tornar-se
totalmente competitiva. Isto requer a constante eliminação de desperdícios, bem
como a habilidade de manter a liderança industrial na introdução de novos
produtos rentáveis ou na diversificação de produtos.
Os princípios de gestão de negócios estão mudando: portanto, os procedimentos de
controle e medição da eficácia de desempenho necessitam ser revisados. Mercados
globais significam concorrentes globais onde há alta qualidade, baixos custos e
atendimento total ao cliente. As empresas já estão fazendo altos investimentos
para atender e satisfazer seus consumidores. As empresas que não acompanharem a
essas evoluções, serão obrigadas a se reposicionar ou a encerrar suas
atividades. Em face destas mudanças, muitos começam a questionar-se sobre como
deveria ser uma moderna técnica de apuração dos custos que lhes permitissem
gerir e decidir sobre seus negócios.
A medida que a Contabilidade tem evoluído e ampliado o seu alcance, tornou-se
parte essencial de todos os fins empresariais. Preocupa-se com o que aconteceu,
com o que acontece e com o que se pode esperar que aconteça, portanto, tornou-se
indispensável à administração, para assegurar que controles e planejamentos
apropriados produzem operações lucrativas.
Os informes da contabilidade gerencial, não raras vezes, são de pouca valia para
os gerentes operacionais, no seu empenho de reduzir custos e melhorar a
produtividade. Tais informes afetam, com freqüência, a produtividade, por
demandarem os gerentes operacionais tempo tentando entender e explicar
divergências apresentadas, pouco a ver com a realidade econômica e tecnológica
de suas operações.
Nestes termos, Johnson & Kaplan (1993), fortalecem esta idéia de que sistemas de
contabilidade gerencial podem e devem ser projetados em apoio às operações e
estratégias da organização. A tecnologia existe para implementar sistemas
radicalmente diferentes dos hoje em uso. O que falta é conhecimento. Mas tal
conhecimento pode emergir da experimentação e da comunicação. O espírito
inovador visível há cem anos, no princípio do movimento de administração
científica, pode ser recuperado por gerentes inovadores e pesquisadores
acadêmicos comprometidos com o desenvolvimento de novos conceitos no projeto de
sistemas de contabilidade gerencial relevantes.
Esses aspectos devem ser de conhecimento do contador gerencial, e grande parte
deles deverá estar presente no sistema de informação contábil, dentro dos
aspectos peculiares da empresa. Cada empresa tem seus produtos, sua tecnologia
de produção, administrando-a dentro de conceitos que julga mais adequados a sua
realidade produtiva, e trabalha dentro de uma filosofia de qualidade gerencial e
de produtos, que deve permear por toda a empresa.
Isto conduziu os profissionais da Contabilidade a redesenhar seus sistemas de
informações gerenciais, incorporando novos conceitos que melhor retratam as
alterações nos métodos de administração de produção.
Portanto, a Contabilidade Gerencial deve consistir de um sistema de informações
atualizadas, pois todos nós temos de tomar decisões financeiras, diariamente, e
para tanto é imprescindível dispormos das mais atualizadas informações.
Referências Bibliográficas
CATELLI, Armando & GUERREIRO, Reinaldo. Uma
análise crítica do sistema "ABC - Activity Based Costing". Revista Brasileira de
Contabilidade. Brasília-DF, 24(91):16-23, jan/fev. 1995
DRUCKER, Peter. Uma nova
teoria da produção. Revista Exame, 22(13):64-72, 27 jun. 1990.
JOHNSON, H. Thoman & KAPLAN, Robert S. Contabilidade gerencial: a restauração da relevância
da contabilidade nas empresas. Rio de Janeiro: Campus, 1993.